← Voltar à Newsletter
Oceanus International School Fomos saber mais sobre...

GrowTogether · Porto, 26 de setembro

OceanusInternational Schoolparticipou noGrowTogether

Depois do GrowTogether: aquilo que ficou a crescer em mim.

Oceanus International School no GrowTogether
Cláudia Almeida, educadora do Oceanus International School Vozes da escolaCláudia Almeida, educadora da sala dos 5 anos, no GrowTogether

Não serei, claramente, cronológica.

Não pretendo explicar tudo o que foi apresentado, nem reproduzir todas as conversas, ideias e reflexões que atravessaram o GrowTogether. Um dia inteiro dedicado à criança, à parentalidade, ao desenvolvimento e à educação não se organiza assim tão facilmente.

Há ideias que chegam, outras que incomodam, algumas que confirmam caminhos que já percorremos e outras que abrem perguntas novas. É dessas que quero falar.

Fui acompanhada por um painel muito diverso e motivado, feito de profissionais de diferentes áreas, todos a partir de lugares distintos, mas com uma preocupação comum: olhar para a criança como pessoa em desenvolvimento e para os adultos como participantes decisivos desse processo.

E este é sempre o tema que convida todo o meu corpo a escutar.

Vamos regar apenas três sementes.

01
Cartaz do GrowTogether, Porto, 26 de setembro
GrowTogether, Porto, 26 de setembro

Primeira semente

A consciência das escolhas

Escutei, repetidamente, a necessidade de trazer consciência às escolhas parentais ou escolares. Não apenas saber o que fazer, mas perceber porque fazemos aquilo que fazemos.

Num tempo em que temos acesso imediato a uma quantidade quase infinita de informação sobre crianças, parentalidade e educação, esta parece-me uma questão cada vez mais importante.

A certa altura, alguém levantou uma questão que me acompanha muitas vezes: o impacto do excesso de informação. Pensei na descontextualização transformada em frases feitas, repetidas como bandeira e, tantas vezes, interpretadas fora do contexto que lhes deu origem: «Pais na bancada», «Educação positiva», «Criança no centro» e tantas outras.

Cuidado. São palavras que nasceram de pensamentos complexos e que podem, quando retiradas do seu contexto, transformar-se em prescrições perigosas. Uma prescrição mal compreendida pode fazer duas coisas: simplificar aquilo que é complexo ou acrescentar culpa a quem, na vida real, não consegue corresponder à versão idealizada de uma ideia.

Muita informação não é literacia. E não acredito que a educação se transforme através de formações rápidas, frases inspiradoras ou conceitos que se aprendem suficientemente depressa para serem repetidos no dia seguinte.

O conhecimento precisa de acompanhamento, de reflexão, de ação e de reformulação. Precisa de estudo. Precisa de tempo. Precisa de profissionais que investiguem, experimentem, observem, regressem à teoria, questionem a própria prática e consigam ajudar outros a fazer esse caminho.

Talvez uma das grandes responsabilidades de quem trabalha com crianças seja precisamente esta: não transformar conhecimento em receita.

Muita informação não é literacia.
02
José Pacheco na palestra Educar para a Vida, Não Apenas para a Escola
José Pacheco, na palestra «Educar para a Vida, Não Apenas para a Escola»

Segunda semente

Uma escola pode ser uma comunidade de desenvolvimento humano

Nas palavras do professor José Pacheco, vislumbrei novamente um caminho que me é muito caro: a possibilidade de pensarmos a escola não apenas como o lugar onde se aprende o que está previsto aprender, mas como uma comunidade de desenvolvimento humano.

Fiquei, contudo, com uma ausência. Senti falta de aprofundarmos mais a reflexão sobre as práticas que temos hoje e as práticas de que precisamos para construir uma verdadeira relação colaborativa entre escola e família.

Porque dizer que família e escola devem trabalhar em parceria é relativamente fácil. Construir essa parceria é muito mais difícil. Implica rever linguagens, expectativas, fronteiras, responsabilidades e, sobretudo, relações de poder. Implica que a escola não veja a família apenas como destinatária da sua comunicação. E implica que a família não veja a escola apenas como prestadora de um serviço educativo.

Talvez ainda tenhamos muito caminho a fazer até conseguirmos construir, verdadeiramente, comunidades educativas onde adultos diferentes, com saberes diferentes, possam estar do mesmo lado sem precisarem de ocupar o mesmo lugar.

Terceira semente

Escutar a criança não é reformular o que ela diz, mas também não é abandonar o convite à nossa intervenção

Termino pelo mais querido: a reflexão da nossa educadora Cláudia Almeida. Na mesa sobre «Afinal, o que é Educar Bem em 2026?», Cláudia Almeida esteve lado a lado com Marta Rodrigues, Nuno Pinto Martins e José Pacheco, numa conversa sobre limites, autonomia e os desafios colocados por uma nova geração.

Foi a sua intervenção sobre autonomia versus independência que ficou comigo. Talvez porque, ao seu estilo firme e gentil, trouxe uma distinção que considero essencial. E é na forma como se escuta a liberdade da criança que esta distinção pode acontecer.

Escutar em prol da autonomia é ouvir aquilo que a criança diz e conduzir essa voz até à possibilidade de ter impacto no mundo e, portanto, também na sua própria construção.

É neste encontro de ideias que o meu sorriso brilha. O encontro com alguém que fala de um lugar teórico-prático que conheço: o lugar de um comViver diário, de observar, refletir, provocar, permitir-se o deslumbramento perante o que acontece realmente na construção de uma pessoa que, progressivamente, consegue participar na própria vida.

03
Mesa-redonda Afinal, o que é Educar Bem em 2026?
Mesa-redonda «Afinal, o que é Educar Bem em 2026?»

E então, o que levo daqui?

Levo estas reflexões e muitos outros apontamentos sobre os quais continuarei a refletir e a praticar.

Trago o resgate de uma das responsabilidades que escolhi: continuar a crescer juntos, na consciência de que crescer juntos não é chegarmos todos ao mesmo lugar. É ter a coragem de nos encontrarmos realmente pelo caminho.

Texto de Cláudia Almeida, educadora da sala dos 5 anos Oceanus International School